domingo, 18 de dezembro de 2011

Sem início.

Errado, acostumado, deixar, ser deixado.
Planos mudados, arremessados.
Tudo é tão normal.
Como toda a vida, diferente.
Como toda essa gente, tão igual.
Desculpas pelo esquecimento.
Lembranças de derrota onde as mãos se tocaram.
Onde as mãos tocaram o chão.
Se abre um coração ao mesmo tempo em que:
a banda se acaba, o amigo se muda, a garota se despede.
E tudo que se tem se é levado.
Vão esperar que você chore, que implore, que trema.
Só vão descansar quando alcançarem a certeza.
A certeza de que a dor foi transmitida.
Mas esquece teus olhos te denunciam.
E no lugar disso, acredita que teu jeito até engana.
Vão esperar que você assuma o vício de perder.
É, meu vício é te perder.
E sem esse clichê comercial de que “me perco ao te encontrar”.
Porra, eu me encontro ao te encontrar.
Mas logo baixo a guarda pra esse maldito vício.
E pra te confortar, perco.
Sou. Sou falso, sou hipócrita.
Sou um ilusionista barato de sentimentos alheios. Sou tudo isso.
Assumo tudo o que você quiser.
Pra que desse jeito você use toda a sua raiva como um escudo.
E assim, sinta-se melhor.
Eu posso fazer isso, não preciso que passem a mão na minha cabeça.
Já me acostumei com a vida entrando de sola.
Visto a camisa que você escolher, eu gostando ou não.
Entre se aproximar eu prefiro me render.
Deixa, eu sigo fingindo que não me importo.
Sigo sendo o chão que você pisa.
Sigo com meu pensamento fixo em você.
Mas te lembra; meu vício é te perder.
Não vai ter de pagar nada por me conhecer.
Não vai entender tudo como tempo perdido.
Talvez nem minha falta sentirá.
Mas a falta de sentir a minha falta, nem o teu jeito disfarçará.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Catalisador da loucura.

E você chega e bagunça tudo de um jeito que meus pensamentos ficam perfeitamente organizados em um labirinto. Eu nunca me dei bem com sub-entendimentos. E esse trauma, se é que uma coisa tão abstrata pode se tornar um trauma, me fez ser um adepto fervoroso dessa mesma pratica. Agora é mensagem subliminar pra cá, acho isso disso pra lá, não tenho certeza de tal coisa. E tal rosto me deixa incerto.
Incrédulo! É assim mesmo que nos vemos. 
E aí você senta na janela, vê uma noite estrelada com uma música cósmica ao fundo e pensa por onde começar. Ou melhor, pensa onde foi que terminou. E fica martelando a idéia de que nada que se está no meio, pode ter um fim. Na verdade você nem quer recomeçar. Quem recomeça demais é porque vive errante, e cara, isso explica muita coisa. Não querer recomeçar significa querer continuar. E o que não se acabou, se continua! Eu não sei se nessa nova era as pessoas ainda batem em portas ou se ainda ficam gritando em baixo de janelas. Escrever, ah sim! Escrever ainda escrevem! Mas escondem. E quando, por acaso, são descobertos pelo próprio alvo da escrita, simplesmente omitem! Ora, pra que resolver as coisas, não é? Deixa que se interpretem como bem entenderem. Escrever para alguém é como jogar um bumerangue ao ar. Você sabe que ele vai voltar, mas não sabe se ele vai acertar em cheio na sua própria testa ou repousar levemente na sua mão. Ah, e é claro, também se tem a opção de arremessá-lo e sair em disparada na direção contrária.
E é aí aonde esse ‘escritor’ queria chegar.
Distancia daquilo que se quer não é exatamente uma coisa boa. Juntando-se isso a todas as incertezas e sub-entendimentos já citados, o resultado é quase um catalisador ao puro enlouquecimento!
E se você chegou e bagunçou tudo, é porque aquela organização já não me servia mais. E se tudo tivesse bagunçado você teria colocado tudo em seu devido lugar! To precisando de inspiração pra escrever. To precisando de você pra me descrever. Eu to mesmo é precisando parar de me conter. Ou quem sabe é só a tua assustadora não-presença que me faz morrer. De medo.
E então se faz uma faxina pra limpar a casa, se abre as portas pro ar circular, se rega as plantas. Se espera dissolver, se anseia por recompor. É, quando não cabe no corpo é quando a alma transborda! E se mostra isso em filmes que me lembram você, personagens que se parecem comigo, músicas que soam como nós e.. que droga! Eu to passando por tudo isso sozinho! Santo egoísmo meu. Santo narcisismo teu! Vem logo pra cá, nós estamos é perdendo tempo. Jogando fora fragmentos importantes de lembranças e vontades.
E assim começa mais uma semana. Como se eu estivesse em frente ao oceano, e os sentimentos bons fossem as ondas. Eles chegam, vão embora, vem, vão. E por vezes nos deparamos com um mar liso, calmo. Como se ele demonstrasse ser confiante, paciente e intuitivo. Mas sabe, já vai um tempo que eu quero essas águas agitadas. Eu posso construir uma ponte, como também posso chegar até você a nado.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Então, eu.

Então, eu só queria agradecer.
Agradecer por você aparecer.
E aparecer na hora certa, sem ao menos saber.
Então, eu só queria agradecer.
Agradecer por me fazer perder.
E perder a noção que esse mundo de merda me fazia ter.
Então, eu só queria dizer.
Que pela primeira vez me entenderam sem eu precisar explicar.
Então, eu só queria respirar.
E respirar um ar poluído por fumaças e garrafas.
Me agarrando a novas idéias e nas tuas pernas.
Então, eu só queria agradecer.
Pelas incertezas que me motivam.
Você sabe como eu funciono.
Sabe jogar com isso e conhece o meu tipo.
Sabe, de longe, me fazer querer estar perto.
E mesmo quando me faço de esperto.
Você sabe pelo aperto que eu passo.
Eu só precisava de alguém pra comigo se estragar.
Precisava de alguém pra de mim mesmo me salvar.
Então, eu só queria agradecer.
Pelo teu bom gosto, pelo teu caminho torto.
Pelas tuas fotos sem cores, pelos teus diferentes sabores.
Pelas tuas músicas pesadas, pela tua alma leve.
Alma leve, sons pesados e uma dose de pecados.
Então, eu só queria pedir.
Me leva pro teu lado ou me tira daqui.
Eu só queria dizer, eu só queria pedir, eu só queria agradecer.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Você.


Me falaram que vale se perder.
Me perdi porque falaram que valia a pena.
Mas não valia a pena ouvir o que falavam.
Falei que a pena é tão lépida quanto meu peito.
E que em meu peito valia a pena confiar.
Mas não me ouviram e por si só perderam-se.
Me perdi por confiar em quem muito leve era.
Que me leva daqui pra lá, que me trás de lá até aqui.
Ouvi dizer que ainda existe um lugar bem melhor.
Vai que de repente ele aparece.
Mas não me diga que pra isso se faz preciso uma prece.
Bem melhor seria ouvir você abrir a porta.
Porta de algum lugar qualquer.
Porque lugares quaisquer existem.
Pessoas importantes insistem.
E seres desimportantes desistem.
Uma pessoa importante, num lugar bem melhor.
É por quem intitulo essas linhas solitárias.
E por hora é só.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ele merece.

Sei que a hora é dela e ninguém mais tem o dever de se importar.
Mas nessa fase a gente perde, faz de tudo pra evitar.
Que os danos que fiz sejam pagos por ela também.
E se for mesmo assim, eu assumo, isso é justo.
Deve haver algum engano aqui.
Vai, deixa ela ser quem ela quer.
Abre essa porta, deixa ela entrar.
Nós dois sabemos como é ser preso com horários.
Ou paredes que separam o que não devemos nunca separar.
É, deve haver algum engano aqui!
Eu realmente espero que um dia inventem uma máquina ou teoria
capaz de medir o desperdício de nós dois.
Cuida bem dos diálogos que foram reprisados.
Eles não pode ser usados dessa vez.
O roteiro a gente já sabe de cor.
Qualquer um de nós que escreve, acaba fazendo pior.
E sem legendas ou qualquer direção.
Seguimos em frente de olhos fechados.
Sabotando os termos dos finais felizes.
E esse teu pessimismo, pra mim, é mais que fé.
Mas o que é bom, a vida dá, pra depois poder tirar.
E morrer de rir ao ver que você não tem mais.
Pra depois indicar os sinais de que ele não foi capaz.
De compreender o que ela queria.
Como um romance ideal, ou os premiados da vez.
O pesadelo do óbvio na vida!
Vai dizer que o mundo e o agora.
Não se parecem com um esboço do que já foram?
Nós dois sabemos muito bem, que fomos feitos um pro outro.
Mas existem outros seis bilhões também.
Linha a linha eu reli o contrato.
Refiz todos os cálculos e sim, você tem razão..

Contra-mão.


E daí se todos nós gostamos do escuro?
E quais os problemas em assumirmos sermos os errados?
Fique você com sua perfeição.
Fiquem vocês com suas notas altas e bons salários.
Enquanto nós ficamos altos com volumes altos.
E qual o problema em sair na chuva?
Fique você protegido, nós escolhemos por perigo.
Viver no limite não é forjar ser algo que não é.
É não ser nada do que os outros são, e cantar isso aos brandos.
Ser rebelde não é ir dormir tarde, meu caro.
Muito menos falar uma dúzia de palavrões.
Quando conseguires não se importar com palavras alheias.
Aí sim, nos procure.
Isso leva tempo, custa caro e os retornos são complexos.
Sem nexo achar que isso é negativo.
Eu sei bem melhor do que você pensa.
Eu cuspo nas tuas crenças.
O que criamos não é solução alguma. É protesto.
Não é pacificação. É luta e reluta.
É uma batalha constante contra essa alienação filha da puta.
E ainda nos perguntam: “O que vocês ganham com isso?!”.
Ganhamos a exata distância de quem não entende.
Mas não somos superiores.
A inferioridade assumida, meu caro, é gigantesca.
Caro comprar tal idéia, não?
Se paga em espírito, índole e uma dose de coragem.
E isso não se recebe no final do mês.
Nem se adiciona como rede social.
É muita ligação pra tanta falta de assunto.
É muita indireta fracassada de quem se acha dono do mundo.
É muito subentendimento pra pouco argumento.
Ainda prefiro minha cara feia e minha frases copiadas.
Copiadas e originais de fábrica.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ventura.

Fizeram-me voltar a alguns anos atrás. Fizeram-me perder partes de uma convicção intocável que vinha sendo lapidada desde então. Metralharam uma estátua de gesso e fizeram-me transparecer.
E eu ainda sou humano, só precisava ser lembrado disso.
Um agradecimento de joelhos aos responsáveis por tal ato!
Eis que você está pairando sob uma incessante neblina, tão densa como gélida. E sem que perceba, um par de olhos surge a palmos do seu rosto. A visão não é mais ofuscada, a atenção não é mais desviada e o frio de antes, é afogado por um calor que nem mais se conhecia. Você persegue aqueles olhos desesperadamente, sem saber exatamente que caminho tomar. O motivo da confusão? Você perdeu a confiança e ganhou borboletas no estômago. O motivo da incerteza? Você voltou há ter treze anos e ganhou um leque de gaguejadas.
E mesmo assim ri de tudo, com a leveza de uma alma.
Arrombaram minha porta e jogaram um balde de fascínio em meu peito.
O tempo pede pressa e eu paro pra ouvir o teu silêncio, se ele pedir urgência eu mesmo trato de rasgá-lo ao meio.
Eu não preciso fingir que sou feliz, não é mesmo?
Sinto que posso fazer uma nova poesia a cada vez que cruzo teu olhar. Ou que posso ir até o fim do mundo pra te fazer entender que teu cabelo perfeitamente bagunçado não precisa ser mudado.
Coloram um nome musicado na vida de um musico pessoal, e agora minhas musicas pessoais são direcionadas àquele nome já tão ouvido nos rádios.
Eu não lembro como estava o céu, não lembro por onde guiei aquele carro, muito menos qual foi o repertório musical nesse meio tempo. Só sei que aquele meio tempo foi algo tão inteiro, que sinto estar preso naquelas meias horas até agora. Toquei um sonho ao mesmo tempo em que teus lábios. Agora não quero acordar. Isso tudo soa tão perigoso quanto incerto, mas eu corro os riscos que forem colocados na mesa.
Não consigo imaginar um motivo melhor do que me perder entre os teus dedos.
Fizeram-me voltar a alguns anos atrás, onde os sentimentos eram mais cristalinos e tomavam nossa cabeça da manhã à noite.
Roubaram-me sem pedir minha opinião.
Fizeram-me feliz ouvindo uma voz e sentindo uma presença.
Fizeram-me imaginar venturas, serenata sem canção e lual sem fogueira. Senti uma mágoa passageira, vi um santo dizer não. Escrevi a loucura no papel, derramei algumas lágrimas em vão. Vi sim, ouvi não.
Vi quase tudo o que eu podia ver. Até ver você. E agora eu vou te provar que ao acordar numa manhã de domingo, com a maquiagem borrada da festa da noite anterior, com uma cara de sono e uma camisa amassada, você vai estar linda.
Sim, simples assim.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Se assim não é, assim será.

Eu preciso.
Cansaram de mim.
Cansei de cansar das coisas, cansei do fim.
De tudo meio assim assim.
Planejei agora ganhar, em outra vida.
Iria, iria.
Não fosse um choro alto, um ombro molhado.
A estaca zero e o retorno da queda.
Veda minhas portas com rudimentar força.
Eu tenho uma estrela.
Que apagada, dança.
Uma lembrança.
Que rasgada, surge.
O bom sentimento que pra trás ficara.
Se perde, não me segue.
Desistira de mim, meio assim assim.
Sem perceber retorna. Sem perceber me ergue.
Eu quero, eu preciso.
Ir pra longe, vento forte, sopro de esperança.
Propor ao tempo uma aliança.
Pedir que volte ao começo.
Pros erros do acaso eu cometer.
De forma diferente agir.
Perder o medo de morrer.
Retomar a vontade de seguir.
Medo, coragem, vantagem.
Mentira eu poderia ter contado.
Por tudo de novo não precisara ter passado.
Opto pelo verdadeiro.
O verdadeiro arsenal que aponta pra mim.
Meio que assim assim, eu não desvio.
Acerta de uma vez.
Joga nesse meio fio.
Eu tenho um dom.
Que por si só, é desastroso.
Eu tenho um sonho.
Seja impossível, seja miraculoso.
Eu tenho o nada.
O nada. Voluptuoso.
Desespero do nada, anseio por ar.
Sem ao menos lembrar: o nada sou eu a respirar.
Canto com as gotas batendo na janela.
Sabes em qual estrada me esperas.
Já acelero e não desespero.
Te conquisto, te reservo.
Lá dentro te guardo.
Aqui fora te aguardo.
E, meio assim assim, te entrego meu fim.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Presságio.

Era noite, a estrada sinuosa. A cada curva uma nova certeza. Tudo o que víamos se devia aos faróis do carro. E ao fato de estarmos ali, se devia as ironias do destino inexistente. Éramos loucos, dirigindo na estrada. Como dois lobos selvagens a procura de um único suspiro de emoção. Os tempos eram outros, as florestas viraram selvas de pedra. As pessoas imorais, ladras e sem emoção. E a Lua, a única testemunha de nossos atos. Tudo, todos, um mundo. Do qual não fazíamos parte. Sempre ficou claro que preferimos o nosso mundo, paralelo e real. Livres, e presos. Presos um ao outro. Viciados um no outro. Vicio, do qual pretendemos não se curar, mas sim, ficar ainda mais viciados. Bebemos uma dose de coragem, limpamos nossos lábios na intensidade e seguimos a viagem. Para onde nossos instintos mais perversos nos levassem. 
 Presos a um destino juntos. Não sobra nada do tempo de antes. A inocência deu lugar ao amadurecimento e os efeitos dessa transformação permanecem gravados em nossos corpos.  O coração inquieto e a mente querendo silenciar, ou seria o contrário? Não sei. Também não faço questão. Apenas quero me deixar levar a tudo que o momento trás, me permitir, nos permitir. Quando estamos juntos é como apertar o "mudo" no controle remoto que controla o mundo, e "play" em tudo aquilo que não sei explicar. Um toque, um olhar, uma respiração próxima um do outro, um abraço que transmite segurança, um sorriso que acalma. O silêncio que muito diz. Senti sua cabeça escorada em meu ombro, senti sua mão em minha perna, e com ela, a sensação de que nada vai nos impedir. Divido contigo e com os pássaros essa visão solitária. Scar Tissue, lembra?
 Seguimos na estrada como se fugíssemos de algo. Não importava o amanhã. O agora se construía de momentos. Sorri ao ver que adormecera no meu ombro. Fiz um carinho nos seus cabelos longos. Senti a sua pele quente. Nada poderia nos impedir.
Amanheceu. Os primeiros raios de Sol tocavam sua face. Nossos horários não condizem com o resto do mundo cinza. Passo a noite articulando um velho violão apenas para o teu prazer. Espero amanhecer para ver uma luz diferente que não seja teu olhar. Dê-me alguns poucos minutos para guiar o carro e encontrar um velho hotel de beira de estrada, onde um ancião tocando sua harmônica, gentilmente nos guia a um quarto, que seja pequeno ou empoeirado. De valor inestimável já me chega tua companhia. E bagagens, quê bagagens? Bobagens! Deixo minhas cordas musicais no banco de trás, no nosso hotel de tantos momentos. Te pego pela mão, e tenho tudo o que conquistei. Mas quero voltar logo para a highway, quero ouvir aquele som sulista e correr até atingir a velocidade ideal para que o vento torne-se impossivelmente mais agradável. Com a finalidade única de ver teus cabelos se rebelarem e me fazer sentir teu perfume. Ver a tua camisa minha, um velho trapo de uma banda de rock dos anos 70. Que cai perfeitamente por teus ombros, te deixando linda do teu jeito meu. Não acordarás sentindo meu perfume nela, mas sim, sentirás o perfume em meu pescoço.
Ilegalidade é puro instinto, perigos são amigos e incertezas são planos tão concretos quantos as montanhas da estrada. Se errado assim, eu consiga te atrair pra mim, que errado assim eu seja até o fim.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Alarme falso.

Sei que não enxergo, mesmo tão claro. E o que te cega é raiva do passado, sabendo que não há mais ninguém pra culpar. Já faz um tempo que eu me tornei tudo aquilo que você não quer mais, mas deixo que os fatos te convençam disso. Não espere eu me desculpar, tenho os motivos que preciso. Tanto faz se já desistiu antes de tentar, tanto faz. Não me importa o que eu fiz há um tempo atrás. Sei que não percebe, mas outro ano se foi e com ele mais uma promessa vai se quebrar e outra ficar no lugar. Finjo que não me importo, olho para o lado, tendo ignorar quando você passar. Não me incomoda, mas também não me deixa em paz. Não pedi a sua ajuda, nem nada do que pode oferecer. Fico com as minhas verdades e mentiras. Não demonstro os meus medos ou aonde quero chegar. Achei o álibi perfeito e deixo que faça acreditar.
Agora é tarde pra tentar mudar, é como rezar pra quem não acredita. Nem mesmo sorte pode ajudar quando as cartas são marcadas pra um jogo de azar. Esqueço o que eu já fui, pois não existe mais.
Não existe mais certo ou errado, ou em quem devo confiar. Dizem que não há nada que eu posso dizer pra tentar mudar. Mas ao mesmo tempo pergunto; quem são vocês pra me julgar? Uma arma carregada sem gatilho pra puxar, um alvo fácil de se acertar. Sou o que você quiser, mas também o que sempre evitou. Mas eu não sou mais um qualquer, você sabe e com certeza vai lembrar. Só mais um cigarro é o tempo pra eu decidir, entre brigar, ficar ou ter que desistir. Não vai ser outro alarme falso, dessa vez vai queimar. Tento não dar ouvido às vozes, parecem nunca me deixar em paz.  Mais uma vez tento não ouvir alguém dizer o que eu já sei. Vou usar meus sonhos pra te encontrar e meus pesadelos pra te assombrar. Sei que não é o certo, mas mesmo assim não vou deixar você passar a noite sem mim. Vou estar presente aonde for e mesmo não me vendo eu sei que vai sentir. Não há outra sombra pro espaço que deixou, sendo que é o vazio que rouba teu lugar. É só mais um vício pra me fazer tentar parar. Vício tão certo quando a dor que eu causei, e assim como provoquei posso fazer parar. É só querer não ser outro igual a você. Mas faria igual ou pior, sabe bem, o dia nunca amanheceu naquele lugar. Não leve a sério se eu me comportar como outro alguém, em pouco tempo vai te dominar e fazer escravo sem perceber. Quanto tempo aguentará? O tempo que me esforço pra lembrar o inesquecível.
É a primeira e última vez que vai ser assim, grave bem o que eu vou dizer. A partir de agora, as coisas que mais gosta serão as que eu mais vou odiar. Os lugares que nunca vai, vão ser aqueles que eu vou estar. E quem odeia, vai se tornar o meu melhor amigo. A segunda e última vez que vai ser assim.. pois nem querendo você vai viver longe de mim.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Tatuado na retina.

Coço minhas pálpebras com meus dedos
em um anseio tanto angustiante quanto desesperado.
Abro meus olhos em direção qualquer
que requer minha força para não ofuscar.
Perco a visão por um momento inexistente
enquanto apensa ouço meus dentes rangerem.
Libero a cólera que paira nebulosa sob meus pesamentos
sendo este o momento da folha e papel.
Nem sempre contundente, nem sempre com sentido.
Tento escrever sobre amor e conquista, pois impossível
enquanto a incerteza estampa minha retina.
Paro, penso e não mais escrevo
e então, coço minhas pálpebras com meus dedos.
Enfim uma luz, não uma ideia ou esperança
um abajur, preto e branco, produzindo brilho e sombra.
Ritmo sem dança ou o antigo lápis sem papel.
Uma cabeça que cansa, dois olhos que se fecham
e dez dedos, que os movimentos cessam.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Esquina Nostálgica.

Saí de uma rua onde todos se conheciam,
ou pelo menos era sabida a nomenclatura de cada ser.
Saí de uma rua onde amizade era conceito de chorar junto.
Saí de uma rua onde amor era tremer ao chegar perto
da garota mais linda do bairro.
Saí de uma rua onde experiência era poder voltar sozinho da escola,
a pé. Negando a carona dos pais.
Saí de uma rua onde desespero era ficar de fora do time de futebol.
Saí de uma rua onde companheirismo era dividir o lanche,
por menor que este fosse.
Saí de uma rua onde traição simplesmente não existia.
Saí de uma rua não asfaltada onde uma curva mal calculada gerava semanas de árduas dores nas articulações.
Saí de uma rua onde ousadia era descer a maior ladeira da cidade sem as mãos no guidão.
Saí de uma rua onde coragem era encarar o maior encrenqueiro do pedaço, olhando pra cima e estufando o peito. Por mais que a vontade fosse de chamar pela salvadora mãe.
Saí de uma rua onde vergonha era chorar depois de um tombo.
Saí de uma rua onde tristeza era o amigo estar ocupado, e não poder passar a tarde brincando.
Saí de uma rua onde a saudade era assassinada a cada fim de tarde, nunca durava!
Saí daquela rua, sem preocupações, achando que poderia voltar a hora que bem entender, e que naquele momento escolhido, todos estariam a minha espera. Acontece que o tempo passou, a rua mudou, as terminologias caíram, e já não se sabe quem está por lá. Se antes gritava por nomes, hoje não familiarizo rostos. Lembro que da esquina todos me abanavam, parecia um "até logo". Não era.
Que falta me faz aquela rua.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Nova Ordem.

Opostos até o fim da linha, com certeza não quero vê-lo na minha festa, dispensável. Conceito pífio de humildade, razão e prioridades.
Graças a Deus você e os seus estão fora da minha vida. Abominável, um mago da caverna, sempre sonhou em ser artista da sua própria novela.
Rodeado por meros fantoches controlados por uma lábia filha da puta. Pena, digno de. Amanhã, ontem e hoje joguei fora o que pesava. Tal como uma Fênix esbravejando em fúria, renasce abrindo suas imperiais asas, e em vôo rasante deixa pra trás todo aquele pó de suas cinzas. Entre enfartes, desesperes e internações.. finalizei.
Eu sei o que passamos, escrevi o que queria.
E pela última vez, acabou. Nasci para apreciar, não para ser.
Sem mal algum em descrever uma sinceridade.
Agora preparem seus arsenais fracassados de tropas perdedoras.
Aquele exército de um homem só continua de pé. Vá contra, e sucumbirá. E então una-se aos "anjos caídos" e suas listas negras de argumentos. Não desabarei, e quem então seguir acompanhando essa linha de frente, também não! O costume forçado nos transforma em soldados blindados, e depois de tantos tiros, até mesmo aqueles que atravessam, comparam-se a cócegas. Não sei o que está por vir, mas sei bem que vais engolir a tua censura maldita.
Sei como viver aqui, sei também bem o que fazer.
E é por isso, que parti do início do fim.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pseudo-texto errante.

Sem nenhum santo que nos perdoe ou diabo que nos ature, continuamos guiando cegamente ao som de um toca-fitas empoeirado. Correndo para qual direção? Aviso quando descobrir, enquanto isso vou admirando a estrada, ironicamente. É esse maldito tempo cinza que me faz metralhar o teclado sem saber onde parar, tal como um carro desgovernado. 
Uma luz pra frear e eu acelerei. Então mudamos de ano, e o que você percebeu além de que o último dia de dezembro é exatamente igual ao primeiro de janeiro? Percebeu que toda uma construção ficou para trás, e agora só é vista dentro da própria memória, afinal, lembranças o vento não leva. Droga de clichê que se encaixa tão bem! Assusta a idéia de pular ao meio de uma poça de interrogações e encontrar "aondes", "quandos", "com quem", e uma infinidade de "porquês". Em contraponto tem-se a gana por conquistas, a vontade de atropelar qualquer coisa que ousar parar na frente... Tendo o sutil cuidado de não se afogar nisso. Por enquanto a água tá batendo no pescoço. O que diminui o nível dela são essas noites regadas a latas, garrafas e fumaças, que mesmo durante pouco tempo, nos transforma em adolescentes imortais e inconseqüentes. 
Mas voltando à vida real, o que fazer quando colegas viram concorrentes e começam a andar com uma faca em meio aos dentes? Acredita-se nisso e entra na dança, ou continua imutável. Já mudei há um bom tempo, então só me falta encontrar uma faca.
É claro que eu prometo andar na linha, na linha torta que um anjo da guarda bêbado traça pela noite. Perde a conta, mas, não abaixa-se o volume. Tem alguém melhor para se confiar do que uma 'pseudo-pessoa'? Pseudo-escritor, pseudo-musico, pseudo-namorado, pseudo.. Prazer, um dia eu descubro algo para ser inteiro. Até lá, parabéns pelas suas conquistas e deixa que eu me encarrego do lado errado da história. Nasci pra isso, e não se concerta o que já nasce com defeito.