Preciso confessar um punhado de coisas por aqui. Não, não tenho diário. Noite de sexta-feira, meus amigos não estão disponíveis.
Vou confessar pra você mesmo, papel.
Vou te confessar, meu amigo, que ela me deixa louco. Mas já haviam me chamado de louco por ter feito essas escolhas. Como se eu tivesse escolha, meu amigo!
Vou te confessar, meu amigo, que essa incerteza já mexeu bastante comigo. Mas acho que já passou tanto tempo que acabei por me acostumar. E vou te dizer que não sei mais se consigo ficar sem essa incerteza!
Vou te confessar, meu amigo, que penso todo dia nela. Como se eu não vivesse o dia para ter ela, não é? Não tenho, eu sei. Mas que eu procuro, meu amigo, ah eu procuro!
Não tenho ela, mas tenho a incerteza que me faz procurar. E te confesso meu amigo, isso já é uma grande coisa. Acredite.
Vou te confessar, meu amigo, que sinto um ciúme apertado quando algum outro malandro tenta dominar as palavras perto dela, assim como eu. Se posso sentir esse ciúme, meu amigo, confesso que não sei. Confesso que não sei se sei esconder.
Vou te confessar, meu amigo, que me sinto um tanto quanto frustrado em não conseguir mais escrever sobre outras coisas. Em outrora já fui mais rebelde, mais idealista, mais líder de causas! Ela me roubou as inspirações, meu amigo. Se adonou delas com êxito. Fez por se tornar famosa pelas bandas de cá!
Vou te confessar, meu amigo, que já compus canções.
Que provavelmente nunca sairão dessas quatro paredes. Que provavelmente nunca chegarão até ouvidos alheios ou ao alvo certo. Confesso que não me importo, meu amigo.
Confesso que penso em desistir três vezes por dia, e nove em continuar.
Meu amigo, ando meio perdido.
E já não sei se encontro tanta graça em me encontrar.
Mas te confesso, meu amigo, que em encontrá-la se encontra toda a graça da vida.
Acho até que já confessei tudo isso pra ela.
Nem precisar beber pra isso foi preciso!
E assim acabo de confessar, meu amigo; a coisa tá séria.