Saí de uma rua onde todos se conheciam,
ou pelo menos era sabida a nomenclatura de cada ser.
Saí de uma rua onde amizade era conceito de chorar junto.
Saí de uma rua onde amor era tremer ao chegar perto
da garota mais linda do bairro.
Saí de uma rua onde experiência era poder voltar sozinho da escola,
a pé. Negando a carona dos pais.
Saí de uma rua onde desespero era ficar de fora do time de futebol.
Saí de uma rua onde companheirismo era dividir o lanche,
por menor que este fosse.
Saí de uma rua onde traição simplesmente não existia.
Saí de uma rua não asfaltada onde uma curva mal calculada gerava semanas de árduas dores nas articulações.
Saí de uma rua onde ousadia era descer a maior ladeira da cidade sem as mãos no guidão.
Saí de uma rua onde coragem era encarar o maior encrenqueiro do pedaço, olhando pra cima e estufando o peito. Por mais que a vontade fosse de chamar pela salvadora mãe.
Saí de uma rua onde vergonha era chorar depois de um tombo.
Saí de uma rua onde tristeza era o amigo estar ocupado, e não poder passar a tarde brincando.
Saí de uma rua onde a saudade era assassinada a cada fim de tarde, nunca durava!
Saí daquela rua, sem preocupações, achando que poderia voltar a hora que bem entender, e que naquele momento escolhido, todos estariam a minha espera. Acontece que o tempo passou, a rua mudou, as terminologias caíram, e já não se sabe quem está por lá. Se antes gritava por nomes, hoje não familiarizo rostos. Lembro que da esquina todos me abanavam, parecia um "até logo". Não era.
Que falta me faz aquela rua.
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