sexta-feira, 2 de março de 2012

Confessionário.

Preciso confessar um punhado de coisas por aqui. Não, não tenho diário. Noite de sexta-feira, meus amigos não estão disponíveis.
Vou confessar pra você mesmo, papel.
Vou te confessar, meu amigo, que ela me deixa louco. Mas já haviam me chamado de louco por ter feito essas escolhas. Como se eu tivesse escolha, meu amigo!
Vou te confessar, meu amigo, que essa incerteza já mexeu bastante comigo. Mas acho que já passou tanto tempo que acabei por me acostumar. E vou te dizer que não sei mais se consigo ficar sem essa incerteza!
Vou te confessar, meu amigo, que penso todo dia nela. Como se eu não vivesse o dia para ter ela, não é? Não tenho, eu sei. Mas que eu procuro, meu amigo, ah eu procuro!
Não tenho ela, mas tenho a incerteza que me faz procurar. E te confesso meu amigo, isso já é uma grande coisa. Acredite.
Vou te confessar, meu amigo, que sinto um ciúme apertado quando algum outro malandro tenta dominar as palavras perto dela, assim como eu. Se posso sentir esse ciúme, meu amigo, confesso que não sei. Confesso que não sei se sei esconder.
Vou te confessar, meu amigo, que me sinto um tanto quanto frustrado em não conseguir mais escrever sobre outras coisas. Em outrora já fui mais rebelde, mais idealista, mais líder de causas! Ela me roubou as inspirações, meu amigo. Se adonou delas com êxito. Fez por se tornar famosa pelas bandas de cá!
Vou te confessar, meu amigo, que já compus canções.
Que provavelmente nunca sairão dessas quatro paredes. Que provavelmente nunca chegarão até ouvidos alheios ou ao alvo certo. Confesso que não me importo, meu amigo.
Confesso que penso em desistir três vezes por dia, e nove em continuar.
Meu amigo, ando meio perdido.
E já não sei se encontro tanta graça em me encontrar.
Mas te confesso, meu amigo, que em encontrá-la se encontra toda a graça da vida.
Acho até que já confessei tudo isso pra ela.
Nem precisar beber pra isso foi preciso!
E assim acabo de confessar, meu amigo; a coisa tá séria.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Sem início.

Errado, acostumado, deixar, ser deixado.
Planos mudados, arremessados.
Tudo é tão normal.
Como toda a vida, diferente.
Como toda essa gente, tão igual.
Desculpas pelo esquecimento.
Lembranças de derrota onde as mãos se tocaram.
Onde as mãos tocaram o chão.
Se abre um coração ao mesmo tempo em que:
a banda se acaba, o amigo se muda, a garota se despede.
E tudo que se tem se é levado.
Vão esperar que você chore, que implore, que trema.
Só vão descansar quando alcançarem a certeza.
A certeza de que a dor foi transmitida.
Mas esquece teus olhos te denunciam.
E no lugar disso, acredita que teu jeito até engana.
Vão esperar que você assuma o vício de perder.
É, meu vício é te perder.
E sem esse clichê comercial de que “me perco ao te encontrar”.
Porra, eu me encontro ao te encontrar.
Mas logo baixo a guarda pra esse maldito vício.
E pra te confortar, perco.
Sou. Sou falso, sou hipócrita.
Sou um ilusionista barato de sentimentos alheios. Sou tudo isso.
Assumo tudo o que você quiser.
Pra que desse jeito você use toda a sua raiva como um escudo.
E assim, sinta-se melhor.
Eu posso fazer isso, não preciso que passem a mão na minha cabeça.
Já me acostumei com a vida entrando de sola.
Visto a camisa que você escolher, eu gostando ou não.
Entre se aproximar eu prefiro me render.
Deixa, eu sigo fingindo que não me importo.
Sigo sendo o chão que você pisa.
Sigo com meu pensamento fixo em você.
Mas te lembra; meu vício é te perder.
Não vai ter de pagar nada por me conhecer.
Não vai entender tudo como tempo perdido.
Talvez nem minha falta sentirá.
Mas a falta de sentir a minha falta, nem o teu jeito disfarçará.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Catalisador da loucura.

E você chega e bagunça tudo de um jeito que meus pensamentos ficam perfeitamente organizados em um labirinto. Eu nunca me dei bem com sub-entendimentos. E esse trauma, se é que uma coisa tão abstrata pode se tornar um trauma, me fez ser um adepto fervoroso dessa mesma pratica. Agora é mensagem subliminar pra cá, acho isso disso pra lá, não tenho certeza de tal coisa. E tal rosto me deixa incerto.
Incrédulo! É assim mesmo que nos vemos. 
E aí você senta na janela, vê uma noite estrelada com uma música cósmica ao fundo e pensa por onde começar. Ou melhor, pensa onde foi que terminou. E fica martelando a idéia de que nada que se está no meio, pode ter um fim. Na verdade você nem quer recomeçar. Quem recomeça demais é porque vive errante, e cara, isso explica muita coisa. Não querer recomeçar significa querer continuar. E o que não se acabou, se continua! Eu não sei se nessa nova era as pessoas ainda batem em portas ou se ainda ficam gritando em baixo de janelas. Escrever, ah sim! Escrever ainda escrevem! Mas escondem. E quando, por acaso, são descobertos pelo próprio alvo da escrita, simplesmente omitem! Ora, pra que resolver as coisas, não é? Deixa que se interpretem como bem entenderem. Escrever para alguém é como jogar um bumerangue ao ar. Você sabe que ele vai voltar, mas não sabe se ele vai acertar em cheio na sua própria testa ou repousar levemente na sua mão. Ah, e é claro, também se tem a opção de arremessá-lo e sair em disparada na direção contrária.
E é aí aonde esse ‘escritor’ queria chegar.
Distancia daquilo que se quer não é exatamente uma coisa boa. Juntando-se isso a todas as incertezas e sub-entendimentos já citados, o resultado é quase um catalisador ao puro enlouquecimento!
E se você chegou e bagunçou tudo, é porque aquela organização já não me servia mais. E se tudo tivesse bagunçado você teria colocado tudo em seu devido lugar! To precisando de inspiração pra escrever. To precisando de você pra me descrever. Eu to mesmo é precisando parar de me conter. Ou quem sabe é só a tua assustadora não-presença que me faz morrer. De medo.
E então se faz uma faxina pra limpar a casa, se abre as portas pro ar circular, se rega as plantas. Se espera dissolver, se anseia por recompor. É, quando não cabe no corpo é quando a alma transborda! E se mostra isso em filmes que me lembram você, personagens que se parecem comigo, músicas que soam como nós e.. que droga! Eu to passando por tudo isso sozinho! Santo egoísmo meu. Santo narcisismo teu! Vem logo pra cá, nós estamos é perdendo tempo. Jogando fora fragmentos importantes de lembranças e vontades.
E assim começa mais uma semana. Como se eu estivesse em frente ao oceano, e os sentimentos bons fossem as ondas. Eles chegam, vão embora, vem, vão. E por vezes nos deparamos com um mar liso, calmo. Como se ele demonstrasse ser confiante, paciente e intuitivo. Mas sabe, já vai um tempo que eu quero essas águas agitadas. Eu posso construir uma ponte, como também posso chegar até você a nado.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Então, eu.

Então, eu só queria agradecer.
Agradecer por você aparecer.
E aparecer na hora certa, sem ao menos saber.
Então, eu só queria agradecer.
Agradecer por me fazer perder.
E perder a noção que esse mundo de merda me fazia ter.
Então, eu só queria dizer.
Que pela primeira vez me entenderam sem eu precisar explicar.
Então, eu só queria respirar.
E respirar um ar poluído por fumaças e garrafas.
Me agarrando a novas idéias e nas tuas pernas.
Então, eu só queria agradecer.
Pelas incertezas que me motivam.
Você sabe como eu funciono.
Sabe jogar com isso e conhece o meu tipo.
Sabe, de longe, me fazer querer estar perto.
E mesmo quando me faço de esperto.
Você sabe pelo aperto que eu passo.
Eu só precisava de alguém pra comigo se estragar.
Precisava de alguém pra de mim mesmo me salvar.
Então, eu só queria agradecer.
Pelo teu bom gosto, pelo teu caminho torto.
Pelas tuas fotos sem cores, pelos teus diferentes sabores.
Pelas tuas músicas pesadas, pela tua alma leve.
Alma leve, sons pesados e uma dose de pecados.
Então, eu só queria pedir.
Me leva pro teu lado ou me tira daqui.
Eu só queria dizer, eu só queria pedir, eu só queria agradecer.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Você.


Me falaram que vale se perder.
Me perdi porque falaram que valia a pena.
Mas não valia a pena ouvir o que falavam.
Falei que a pena é tão lépida quanto meu peito.
E que em meu peito valia a pena confiar.
Mas não me ouviram e por si só perderam-se.
Me perdi por confiar em quem muito leve era.
Que me leva daqui pra lá, que me trás de lá até aqui.
Ouvi dizer que ainda existe um lugar bem melhor.
Vai que de repente ele aparece.
Mas não me diga que pra isso se faz preciso uma prece.
Bem melhor seria ouvir você abrir a porta.
Porta de algum lugar qualquer.
Porque lugares quaisquer existem.
Pessoas importantes insistem.
E seres desimportantes desistem.
Uma pessoa importante, num lugar bem melhor.
É por quem intitulo essas linhas solitárias.
E por hora é só.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ele merece.

Sei que a hora é dela e ninguém mais tem o dever de se importar.
Mas nessa fase a gente perde, faz de tudo pra evitar.
Que os danos que fiz sejam pagos por ela também.
E se for mesmo assim, eu assumo, isso é justo.
Deve haver algum engano aqui.
Vai, deixa ela ser quem ela quer.
Abre essa porta, deixa ela entrar.
Nós dois sabemos como é ser preso com horários.
Ou paredes que separam o que não devemos nunca separar.
É, deve haver algum engano aqui!
Eu realmente espero que um dia inventem uma máquina ou teoria
capaz de medir o desperdício de nós dois.
Cuida bem dos diálogos que foram reprisados.
Eles não pode ser usados dessa vez.
O roteiro a gente já sabe de cor.
Qualquer um de nós que escreve, acaba fazendo pior.
E sem legendas ou qualquer direção.
Seguimos em frente de olhos fechados.
Sabotando os termos dos finais felizes.
E esse teu pessimismo, pra mim, é mais que fé.
Mas o que é bom, a vida dá, pra depois poder tirar.
E morrer de rir ao ver que você não tem mais.
Pra depois indicar os sinais de que ele não foi capaz.
De compreender o que ela queria.
Como um romance ideal, ou os premiados da vez.
O pesadelo do óbvio na vida!
Vai dizer que o mundo e o agora.
Não se parecem com um esboço do que já foram?
Nós dois sabemos muito bem, que fomos feitos um pro outro.
Mas existem outros seis bilhões também.
Linha a linha eu reli o contrato.
Refiz todos os cálculos e sim, você tem razão..

Contra-mão.


E daí se todos nós gostamos do escuro?
E quais os problemas em assumirmos sermos os errados?
Fique você com sua perfeição.
Fiquem vocês com suas notas altas e bons salários.
Enquanto nós ficamos altos com volumes altos.
E qual o problema em sair na chuva?
Fique você protegido, nós escolhemos por perigo.
Viver no limite não é forjar ser algo que não é.
É não ser nada do que os outros são, e cantar isso aos brandos.
Ser rebelde não é ir dormir tarde, meu caro.
Muito menos falar uma dúzia de palavrões.
Quando conseguires não se importar com palavras alheias.
Aí sim, nos procure.
Isso leva tempo, custa caro e os retornos são complexos.
Sem nexo achar que isso é negativo.
Eu sei bem melhor do que você pensa.
Eu cuspo nas tuas crenças.
O que criamos não é solução alguma. É protesto.
Não é pacificação. É luta e reluta.
É uma batalha constante contra essa alienação filha da puta.
E ainda nos perguntam: “O que vocês ganham com isso?!”.
Ganhamos a exata distância de quem não entende.
Mas não somos superiores.
A inferioridade assumida, meu caro, é gigantesca.
Caro comprar tal idéia, não?
Se paga em espírito, índole e uma dose de coragem.
E isso não se recebe no final do mês.
Nem se adiciona como rede social.
É muita ligação pra tanta falta de assunto.
É muita indireta fracassada de quem se acha dono do mundo.
É muito subentendimento pra pouco argumento.
Ainda prefiro minha cara feia e minha frases copiadas.
Copiadas e originais de fábrica.