terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ele merece.

Sei que a hora é dela e ninguém mais tem o dever de se importar.
Mas nessa fase a gente perde, faz de tudo pra evitar.
Que os danos que fiz sejam pagos por ela também.
E se for mesmo assim, eu assumo, isso é justo.
Deve haver algum engano aqui.
Vai, deixa ela ser quem ela quer.
Abre essa porta, deixa ela entrar.
Nós dois sabemos como é ser preso com horários.
Ou paredes que separam o que não devemos nunca separar.
É, deve haver algum engano aqui!
Eu realmente espero que um dia inventem uma máquina ou teoria
capaz de medir o desperdício de nós dois.
Cuida bem dos diálogos que foram reprisados.
Eles não pode ser usados dessa vez.
O roteiro a gente já sabe de cor.
Qualquer um de nós que escreve, acaba fazendo pior.
E sem legendas ou qualquer direção.
Seguimos em frente de olhos fechados.
Sabotando os termos dos finais felizes.
E esse teu pessimismo, pra mim, é mais que fé.
Mas o que é bom, a vida dá, pra depois poder tirar.
E morrer de rir ao ver que você não tem mais.
Pra depois indicar os sinais de que ele não foi capaz.
De compreender o que ela queria.
Como um romance ideal, ou os premiados da vez.
O pesadelo do óbvio na vida!
Vai dizer que o mundo e o agora.
Não se parecem com um esboço do que já foram?
Nós dois sabemos muito bem, que fomos feitos um pro outro.
Mas existem outros seis bilhões também.
Linha a linha eu reli o contrato.
Refiz todos os cálculos e sim, você tem razão..

Contra-mão.


E daí se todos nós gostamos do escuro?
E quais os problemas em assumirmos sermos os errados?
Fique você com sua perfeição.
Fiquem vocês com suas notas altas e bons salários.
Enquanto nós ficamos altos com volumes altos.
E qual o problema em sair na chuva?
Fique você protegido, nós escolhemos por perigo.
Viver no limite não é forjar ser algo que não é.
É não ser nada do que os outros são, e cantar isso aos brandos.
Ser rebelde não é ir dormir tarde, meu caro.
Muito menos falar uma dúzia de palavrões.
Quando conseguires não se importar com palavras alheias.
Aí sim, nos procure.
Isso leva tempo, custa caro e os retornos são complexos.
Sem nexo achar que isso é negativo.
Eu sei bem melhor do que você pensa.
Eu cuspo nas tuas crenças.
O que criamos não é solução alguma. É protesto.
Não é pacificação. É luta e reluta.
É uma batalha constante contra essa alienação filha da puta.
E ainda nos perguntam: “O que vocês ganham com isso?!”.
Ganhamos a exata distância de quem não entende.
Mas não somos superiores.
A inferioridade assumida, meu caro, é gigantesca.
Caro comprar tal idéia, não?
Se paga em espírito, índole e uma dose de coragem.
E isso não se recebe no final do mês.
Nem se adiciona como rede social.
É muita ligação pra tanta falta de assunto.
É muita indireta fracassada de quem se acha dono do mundo.
É muito subentendimento pra pouco argumento.
Ainda prefiro minha cara feia e minha frases copiadas.
Copiadas e originais de fábrica.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ventura.

Fizeram-me voltar a alguns anos atrás. Fizeram-me perder partes de uma convicção intocável que vinha sendo lapidada desde então. Metralharam uma estátua de gesso e fizeram-me transparecer.
E eu ainda sou humano, só precisava ser lembrado disso.
Um agradecimento de joelhos aos responsáveis por tal ato!
Eis que você está pairando sob uma incessante neblina, tão densa como gélida. E sem que perceba, um par de olhos surge a palmos do seu rosto. A visão não é mais ofuscada, a atenção não é mais desviada e o frio de antes, é afogado por um calor que nem mais se conhecia. Você persegue aqueles olhos desesperadamente, sem saber exatamente que caminho tomar. O motivo da confusão? Você perdeu a confiança e ganhou borboletas no estômago. O motivo da incerteza? Você voltou há ter treze anos e ganhou um leque de gaguejadas.
E mesmo assim ri de tudo, com a leveza de uma alma.
Arrombaram minha porta e jogaram um balde de fascínio em meu peito.
O tempo pede pressa e eu paro pra ouvir o teu silêncio, se ele pedir urgência eu mesmo trato de rasgá-lo ao meio.
Eu não preciso fingir que sou feliz, não é mesmo?
Sinto que posso fazer uma nova poesia a cada vez que cruzo teu olhar. Ou que posso ir até o fim do mundo pra te fazer entender que teu cabelo perfeitamente bagunçado não precisa ser mudado.
Coloram um nome musicado na vida de um musico pessoal, e agora minhas musicas pessoais são direcionadas àquele nome já tão ouvido nos rádios.
Eu não lembro como estava o céu, não lembro por onde guiei aquele carro, muito menos qual foi o repertório musical nesse meio tempo. Só sei que aquele meio tempo foi algo tão inteiro, que sinto estar preso naquelas meias horas até agora. Toquei um sonho ao mesmo tempo em que teus lábios. Agora não quero acordar. Isso tudo soa tão perigoso quanto incerto, mas eu corro os riscos que forem colocados na mesa.
Não consigo imaginar um motivo melhor do que me perder entre os teus dedos.
Fizeram-me voltar a alguns anos atrás, onde os sentimentos eram mais cristalinos e tomavam nossa cabeça da manhã à noite.
Roubaram-me sem pedir minha opinião.
Fizeram-me feliz ouvindo uma voz e sentindo uma presença.
Fizeram-me imaginar venturas, serenata sem canção e lual sem fogueira. Senti uma mágoa passageira, vi um santo dizer não. Escrevi a loucura no papel, derramei algumas lágrimas em vão. Vi sim, ouvi não.
Vi quase tudo o que eu podia ver. Até ver você. E agora eu vou te provar que ao acordar numa manhã de domingo, com a maquiagem borrada da festa da noite anterior, com uma cara de sono e uma camisa amassada, você vai estar linda.
Sim, simples assim.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Se assim não é, assim será.

Eu preciso.
Cansaram de mim.
Cansei de cansar das coisas, cansei do fim.
De tudo meio assim assim.
Planejei agora ganhar, em outra vida.
Iria, iria.
Não fosse um choro alto, um ombro molhado.
A estaca zero e o retorno da queda.
Veda minhas portas com rudimentar força.
Eu tenho uma estrela.
Que apagada, dança.
Uma lembrança.
Que rasgada, surge.
O bom sentimento que pra trás ficara.
Se perde, não me segue.
Desistira de mim, meio assim assim.
Sem perceber retorna. Sem perceber me ergue.
Eu quero, eu preciso.
Ir pra longe, vento forte, sopro de esperança.
Propor ao tempo uma aliança.
Pedir que volte ao começo.
Pros erros do acaso eu cometer.
De forma diferente agir.
Perder o medo de morrer.
Retomar a vontade de seguir.
Medo, coragem, vantagem.
Mentira eu poderia ter contado.
Por tudo de novo não precisara ter passado.
Opto pelo verdadeiro.
O verdadeiro arsenal que aponta pra mim.
Meio que assim assim, eu não desvio.
Acerta de uma vez.
Joga nesse meio fio.
Eu tenho um dom.
Que por si só, é desastroso.
Eu tenho um sonho.
Seja impossível, seja miraculoso.
Eu tenho o nada.
O nada. Voluptuoso.
Desespero do nada, anseio por ar.
Sem ao menos lembrar: o nada sou eu a respirar.
Canto com as gotas batendo na janela.
Sabes em qual estrada me esperas.
Já acelero e não desespero.
Te conquisto, te reservo.
Lá dentro te guardo.
Aqui fora te aguardo.
E, meio assim assim, te entrego meu fim.