Coço minhas pálpebras com meus dedos
em um anseio tanto angustiante quanto desesperado.
Abro meus olhos em direção qualquer
que requer minha força para não ofuscar.
Perco a visão por um momento inexistente
enquanto apensa ouço meus dentes rangerem.
Libero a cólera que paira nebulosa sob meus pesamentos
sendo este o momento da folha e papel.
Nem sempre contundente, nem sempre com sentido.
Tento escrever sobre amor e conquista, pois impossível
enquanto a incerteza estampa minha retina.
Paro, penso e não mais escrevo
e então, coço minhas pálpebras com meus dedos.
Enfim uma luz, não uma ideia ou esperança
um abajur, preto e branco, produzindo brilho e sombra.
Ritmo sem dança ou o antigo lápis sem papel.
Uma cabeça que cansa, dois olhos que se fecham
e dez dedos, que os movimentos cessam.
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