Sem nenhum santo que nos perdoe ou diabo que nos ature, continuamos guiando cegamente ao som de um toca-fitas empoeirado. Correndo para qual direção? Aviso quando descobrir, enquanto isso vou admirando a estrada, ironicamente. É esse maldito tempo cinza que me faz metralhar o teclado sem saber onde parar, tal como um carro desgovernado.
Uma luz pra frear e eu acelerei. Então mudamos de ano, e o que você percebeu além de que o último dia de dezembro é exatamente igual ao primeiro de janeiro? Percebeu que toda uma construção ficou para trás, e agora só é vista dentro da própria memória, afinal, lembranças o vento não leva. Droga de clichê que se encaixa tão bem! Assusta a idéia de pular ao meio de uma poça de interrogações e encontrar "aondes", "quandos", "com quem", e uma infinidade de "porquês". Em contraponto tem-se a gana por conquistas, a vontade de atropelar qualquer coisa que ousar parar na frente... Tendo o sutil cuidado de não se afogar nisso. Por enquanto a água tá batendo no pescoço. O que diminui o nível dela são essas noites regadas a latas, garrafas e fumaças, que mesmo durante pouco tempo, nos transforma em adolescentes imortais e inconseqüentes.
Mas voltando à vida real, o que fazer quando colegas viram concorrentes e começam a andar com uma faca em meio aos dentes? Acredita-se nisso e entra na dança, ou continua imutável. Já mudei há um bom tempo, então só me falta encontrar uma faca.
É claro que eu prometo andar na linha, na linha torta que um anjo da guarda bêbado traça pela noite. Perde a conta, mas, não abaixa-se o volume. Tem alguém melhor para se confiar do que uma 'pseudo-pessoa'? Pseudo-escritor, pseudo-musico, pseudo-namorado, pseudo.. Prazer, um dia eu descubro algo para ser inteiro. Até lá, parabéns pelas suas conquistas e deixa que eu me encarrego do lado errado da história. Nasci pra isso, e não se concerta o que já nasce com defeito.