Não, não estou falando da água, ou na sua fórmula molecular H2O. Estou falando dos dias, dos meus dias e da minha vida. Uma estrada cinza que antes fora iluminada por um sol tão forte a ponto de me cegar. E, alguém perguntou se eu queria ver? Comida sem gosto, flores sem cheiros e até a droga do mundo 'teenage color' está no absoluto preto e branco. E eu, de volta ao luto.
Ser o principal e único suspeito de um crime tão, mas tão perfeito, que nem ao menos faço idéia de onde ele começa ou termina, é o motivo da minha falta de motivo. E que belo criminoso eu sou. Oculto o crime até mesmo para seu criador.. difícil entender? Claro, como todos os atos que se espalham por esses dezessete anos. Dezessete, apenas. Como fora da lei em direção a uma prisão emotiva, eu poderia ter um último pedido? Não, contente-se com o que possui. Mas quem em sã consciência contenta-se com insegurança, incerteza e medo? E quem sabe uma outra chance? Outra, que outra? Você nunca obteve chance alguma, meu rapaz.
Mas voltemos no tempo, época de Flower Power. Como eu queria que você tivesse saído de lá, seria tão mais fácil de aceitar, quem sabe compreender. Pés descalços, flores na cabeça, uma vida de paz e amor, era o que o meu sol e seu iluminado desejavam. Mas não, voltamos além, épocas de Guerra Fria, é de lá a tua origem. Gelado como teu peito, e inaceitável como tua irracionalidade.
Eu gostaria de crer na humanidade, mas os conceitos de bem e mal estão se entrelaçando. Fazer o bem, ser o bem. O que se tem em troca? Um dia ainda vou descobrir. Por hora, perdi tudo, por assim ser. Quem sabe voltar a beber, voltar a fumar e me trancar em um submundo mais uma vez. Trazer a tona pela segunda vez o Mal do Século, onde meus antigos heróis descansam depois de tanto tentar. Afinal, temos nossa linha traçada para com esse rumo desde o momento de nosso primeiro choro. Choro que vai nos acompanhar, até uma overdose de pessimismo e melancolia. É nosso trabalho, não? Talvez vocês ainda possuam um representante.
E na viagem do tempo, agora me encontro na idade da pedra, sem comunicação. Depois de chegar ao destino com a roupa do corpo, e mais nada. E aquele sol que me cegava, agora é encoberto por nuvens de fumaça negra. Um Hades que invadiu o Jardim do Éden, transformando parte em pedra, e outra em um oceano de lágrimas. O que restou? A fé de uma conversão. Eu gostaria de crer na humanidade, lembra? Eu tento, afinal, o que mais tenho a perder? Meu sol vai voltar, é claro que vai. Já está decidido, e nenhuma viagem ao tempo, ou Deus as avessas vai mudar isso. Segura minha mão e vamos fugir daqui?
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Castelo improvável.
Roupas no varal, chuva de verão, dias soltos no quintal tentam me mostrar a direção. E se você me perguntar o que eu fiz? Você realmente quer saber o que eu quis? Ah, o tempo passa e eu penso demais. Conceitos criados sob outras pessoas idealizadas podem ser firmes e confiantes tal como um castelo de cartas em meio a um furacão. Queira eu estar errado, sincero.
Têm-se o direito de cobrança sob qualquer coisa ou pessoa? Não, o que se tem é o direito de escolha. Cabe a cada um decidir por qual se apaixonar, por quem lutar, em quem confiar e por qual se decepcionar. Raiva não carrego comigo, em uma das muitas metamorfoses de quem vos escreve, joguei fora. Toneladas que ficaram pelo caminho. Mas mágoa não é raiva, tristeza não é raiva. E essa, se esconde dentre os olhos castanhos que brilham ao encontrar um par de dissimulados, que tento sim desviar, em vão. Palavras não saem, travam à meio caminho gerando um forte nó. Mas, que palavras? Todas, oras. Todas as que não foram ditas e que agora formam essa estranha sensação de ato inacabado. Inacabado ficará.
Eu minto quando digo que o vento me satisfaz, que a noite foi boa, ou que a banda tocou direito. Nada foi completo, e agora tudo fica perdido pairando pelo ar, bem em frente ao meu rosto. E que mesmo assim não consigo agarrar. Ter vontade de dançar com as pernas e braços atados.
E se eu te deixar pra trás, eu sigo? Eu minto!
Feche as cortinas, que assim o bonequinho não vai espiar tua dança, bailarina. Aproveita, já que tens os braços e pernas livres. Mas feche as janelas. Não o deixe ver!
Então a escolha foi atira-lo pela janela? Mas ele era de chumbo, e assim a janela foi quebrada! E saibas, que quilos de chumbo no peito pesam mais.
E por ser de chumbo, serás mais resistente? Provável. Culpa de quem passou pela rua naquele exato momento, e apanhou o bonequinho entre os cacos. Algumas batidas para tirar o pó e as fagulhas de vidro, e agora assim se encontrava seguro, guardado dentre um par de mãos quentes.
Raiva? Isso não existe nesse peito platinado, afinal, o lado bom sempre aparece, mais cedo ou tarde. Abre os olhos, alma de poeta, e salta pra direção das oportunidades.
Deixa o improvável acontecer, amanhã a gente vê o que fazer.
Têm-se o direito de cobrança sob qualquer coisa ou pessoa? Não, o que se tem é o direito de escolha. Cabe a cada um decidir por qual se apaixonar, por quem lutar, em quem confiar e por qual se decepcionar. Raiva não carrego comigo, em uma das muitas metamorfoses de quem vos escreve, joguei fora. Toneladas que ficaram pelo caminho. Mas mágoa não é raiva, tristeza não é raiva. E essa, se esconde dentre os olhos castanhos que brilham ao encontrar um par de dissimulados, que tento sim desviar, em vão. Palavras não saem, travam à meio caminho gerando um forte nó. Mas, que palavras? Todas, oras. Todas as que não foram ditas e que agora formam essa estranha sensação de ato inacabado. Inacabado ficará.
Eu minto quando digo que o vento me satisfaz, que a noite foi boa, ou que a banda tocou direito. Nada foi completo, e agora tudo fica perdido pairando pelo ar, bem em frente ao meu rosto. E que mesmo assim não consigo agarrar. Ter vontade de dançar com as pernas e braços atados.
E se eu te deixar pra trás, eu sigo? Eu minto!
Feche as cortinas, que assim o bonequinho não vai espiar tua dança, bailarina. Aproveita, já que tens os braços e pernas livres. Mas feche as janelas. Não o deixe ver!
Então a escolha foi atira-lo pela janela? Mas ele era de chumbo, e assim a janela foi quebrada! E saibas, que quilos de chumbo no peito pesam mais.
E por ser de chumbo, serás mais resistente? Provável. Culpa de quem passou pela rua naquele exato momento, e apanhou o bonequinho entre os cacos. Algumas batidas para tirar o pó e as fagulhas de vidro, e agora assim se encontrava seguro, guardado dentre um par de mãos quentes.
Raiva? Isso não existe nesse peito platinado, afinal, o lado bom sempre aparece, mais cedo ou tarde. Abre os olhos, alma de poeta, e salta pra direção das oportunidades.
Deixa o improvável acontecer, amanhã a gente vê o que fazer.
domingo, 5 de setembro de 2010
Carta aos apaixonados.
Sempre tive medo de ser exagerado ao ponto de parecer falso, quando escrevo sobre sentimento. Não sei, mas tenho uma sensação ruim de que as coisas são banalizadas. E o medo é exatamente esse, de que coisas sinceras, lidas por quem mais me importa, pareçam banais. Vai ver por isso fico com um pé e meio atrás. Prefiro falar, falar enquanto olho nos olhos. Naquele momento nada vai ser banalizado. Têm-se toda a segurança e confiança de que nada vai ser perdido. Mas é óbvio dizer, que é impossível ter os olhos nos olhos sempre que se quer. E quando a vontade é maior, ela de alguma maneira pula para fora, na forma de escrita, algo inevitável.
Isso vai acontecendo, conforme outras coisas vão acontecendo. Acontece quando teu próprio cheiro, te lembra a pessoa. Acontece quando a noção de tempo é perdida. Acontece quando um abraço pode salvar teu dia, e quando um beijo te motiva. Quando um ritual com fotos e músicas se torna indispensável para uma noite bem dormida. Lembra do medo de ser exagerado? Já não existe mais. E junto com ele foram embora o resto das incertezas, constantes, inconstantes. Uma certeza permanece: você.
As lembranças de um dia atrás já geram a saudade de hoje. E é bom sentir saudade, é um codinome pro amor.
Sentir falta em uma tarde, claro! Afinal, somos apaixonados. Ficar sussurrando letras que de uma maneira incrível resumem tanta coisa.. "onde quer que eu vá, o que quer que eu faça, sem você não tem graça." O brilho das estrelas já é bem mais intenso, não é? Eu sei, tô percebendo isso também.
E da mesma maneira que eu vejo as pessoas com ânsia de serem mais fortes e geladas, achando que isso trará algum tipo cego de proteção, eu me aventuro cada vez mais fundo, em um lugar quente, confortável e realmente seguro. E o melhor disso? Não estou sozinho, não sou mais um só.
Viver em função de alguém é motivo de vergonha? Pouco me importa o que aleatórios pensam. Vou sim viver em função do teu sorriso, e faço isso com o meu de canto a canto!
É bom bolar planos mirabolantes, fantasiar acontecimentos de 'saber-se-lá' quanto tempo a frente. Na minha cabeça imagino o que eu bem entender. Na minha mão? Quero a tua.
Cada vez mais intenso e sincero. Quero tudo agora, e deixa rolar! Gosto dos teus gostos, da tua paciência, do teu perfume, charme e groove. A maneira como você não cansa de me salvar. E não adianta, eu não vou parar com as cócegas, te ver rir desesperadamente disso faz toda e qualquer coisa valer a pena. Tô acostumado de você, e não consigo mais ficar sem. Será que to exagerando? Não, afinal é o que eu penso todos os dias. E não serão poucos os dias necessários pra te mostrar tudo. Tudo que se renova e cresce por dentro. Mas o meu tempo é todo teu, e o tempo todo é nosso. Assim como essa carta.
Carta aos apaixonados, aos amantes, à nós dois.
Que o tempo passe, tão certo quanto o calor do fogo, e com ele a tua importância se torne ainda maior, assim como ar que me parece vital. "Onde quer que eu vá, o que quer que eu faç..".
Isso vai acontecendo, conforme outras coisas vão acontecendo. Acontece quando teu próprio cheiro, te lembra a pessoa. Acontece quando a noção de tempo é perdida. Acontece quando um abraço pode salvar teu dia, e quando um beijo te motiva. Quando um ritual com fotos e músicas se torna indispensável para uma noite bem dormida. Lembra do medo de ser exagerado? Já não existe mais. E junto com ele foram embora o resto das incertezas, constantes, inconstantes. Uma certeza permanece: você.
As lembranças de um dia atrás já geram a saudade de hoje. E é bom sentir saudade, é um codinome pro amor.
Sentir falta em uma tarde, claro! Afinal, somos apaixonados. Ficar sussurrando letras que de uma maneira incrível resumem tanta coisa.. "onde quer que eu vá, o que quer que eu faça, sem você não tem graça." O brilho das estrelas já é bem mais intenso, não é? Eu sei, tô percebendo isso também.
E da mesma maneira que eu vejo as pessoas com ânsia de serem mais fortes e geladas, achando que isso trará algum tipo cego de proteção, eu me aventuro cada vez mais fundo, em um lugar quente, confortável e realmente seguro. E o melhor disso? Não estou sozinho, não sou mais um só.
Viver em função de alguém é motivo de vergonha? Pouco me importa o que aleatórios pensam. Vou sim viver em função do teu sorriso, e faço isso com o meu de canto a canto!
É bom bolar planos mirabolantes, fantasiar acontecimentos de 'saber-se-lá' quanto tempo a frente. Na minha cabeça imagino o que eu bem entender. Na minha mão? Quero a tua.
Cada vez mais intenso e sincero. Quero tudo agora, e deixa rolar! Gosto dos teus gostos, da tua paciência, do teu perfume, charme e groove. A maneira como você não cansa de me salvar. E não adianta, eu não vou parar com as cócegas, te ver rir desesperadamente disso faz toda e qualquer coisa valer a pena. Tô acostumado de você, e não consigo mais ficar sem. Será que to exagerando? Não, afinal é o que eu penso todos os dias. E não serão poucos os dias necessários pra te mostrar tudo. Tudo que se renova e cresce por dentro. Mas o meu tempo é todo teu, e o tempo todo é nosso. Assim como essa carta.
Carta aos apaixonados, aos amantes, à nós dois.
Que o tempo passe, tão certo quanto o calor do fogo, e com ele a tua importância se torne ainda maior, assim como ar que me parece vital. "Onde quer que eu vá, o que quer que eu faç..".
Desabafo em 6 cordas.
Um desabafo pode ser feito das mais diversas maneiras. Alguns gritam, choram, berram e xingam. Outros precisam de um par de ouvidos pacientes. Alguns de nós escrevem, nós. Tirando um par de aspas do repertório de Leindecker, é que dou o pontapé inicial na idéia desse texto: "Há quem construa aviões, escreva as revistas e outros dedilham violões". Minha forma de desabafo preferida, minhas 6 cordas. Sendo dedilhadas, travadas, batidas. Desferindo uma música de três fáceis notas, aprendida há mais de cinco anos, ou arriscando uma complexa melodia que me tomou noites de treino. Sim, noites de treino. Pois não nasci pra tocar esse instrumento, não tenho dom nenhum e ele faz de tudo pra que eu não toque-o. Mas desde quando eu nadei a favor da corrente? A unica graça que isso teria, seria tentar encontrar a mesma. Então tomo uma melodia complexa, e passo horas na prática de cortar meus dedos já cheios de marcas deixadas por uma fina corda de aço. E quem som tem essa corda! Ah, se vale a pena.
Em um sábado a noite, em uma cidade com dezenas de festas, minha balada é sentar na minha cama, me encostar na parede, jogar minhas pernas e desabafar, tranqüilizando a alma. Sempre com um papel e caneta ao lado, pois é inevitável as idéias surgirem. O ato de virar o violão, e escrever em suas 'costas', é comum, quem faz sabe do que falo.
Ir jogando as notas pelo ar, sem responsabilidade alguma de sincronizo, tempo, estrofe ou refrão, é como caminhar no escuro. Mas sabendo que o chão está forrado com almofadas. Tu poder vir a tropeçar e cair, mas a queda é leve, não machuca, e chega a ser até mesmo divertida.
O fim de tarde é um tanto quanto místico, quando juntado a um violão. Tanto a lua, quanto o sol combinam com os acordes. E tocar pra público algum, tocar pra si próprio, apenas esperando que o fim da tarde venha com você, pra aí sim, te mostrar minha milésima canção de amor.
Ir tocando, e se perdendo. Esquecer qualquer tipo de regra, esquecer até mesmo o que se estava produzindo. Errar letras e acordes, e depois pensar: "Pô, ficou bom!" Solos mais errantes que as letras errantes, agudos desafinados, e mesmo assim o público de um só coração aplaude fervorosamente. Fazer sucesso com quem me importa ter sucesso, ter discos de platina na parede de dentro. Desabafo? Pois sim!
Da mesma maneira que o papel aceita toda e qualquer idéia, as cordas aceitam toda e qualquer posição (das que se é capaz de fazer). Não são dois pares de ouvido, mas são três pares de alívio. Os teus sentimentos transbordam e saem em diferentes sons. Existe um tipo de desabafo mais bonito? Prove-me!
Sendo que é o único que além de te fazer sentir melhor, agrada quem te rodeia.
Sigo, faço, digo e invento o que não foi escrito, depois levo tudo pro palco. No meu quarto eu sou Rock-Star. Sabe, aqueles que cantam: nãráránãrárárá he hey! Sou romântico. Sabe, aqueles que cantam: essa noite você tá tão bonita, um sorriso limpo como um copo de vinho! E confesso que a agenda de shows não é apertada, ela é auto-suficiente.
Mas por coincidência ou não, tenho um marcado pra agora, quando o sol nascer. A platéia espera por mais um tranqüilo, pesado, rápido e romântico desabafo. E isso inclui você.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Estranha rotina boa.
A palavra 'rotina' pode ser bem desagradável, ou atraente. Depende do ponto de vista e contexto. Esse é um caso de uma rotina atraente, acredito eu. Uma linda história de uma linda amizade entre humano e máquina. Muitos pensarão, na verdade a maioria, que me refiro ao computador, ao notebook, à algum tipo de iphone ou engenhocas ultra-mega-hiper modernas. Os defensores de épocas vintages, citariam até mesmo a televisão! Mas não, nem um e muito menos o outro. Falo de meu rádio. Isso, meu rádio. Sem entradas USB, sem giga algum de memória interna, apenas duas caixas de som, uma bandeja para meus cds, dois toca-fitas (acredite), uma antena e milhares de adesivos.
Há muito larguei de vez a televisão, notícias não me interessam, e talvez num futuro próximo, me obrigarei a ter esse interesse, mas não agora, e aproveito isso, sendo coerente ou não. Tenho 17 anos, cara. Apenas deixo-me alienar para acompanhar meu time, just it, man. Computador, claro! Tenho meu carinho por você, por isso não se reprima! Vide Menudos. Tanto, que cá estou a digitar, bem na tua frente! Mas meu rádio está ligado, e já estava há muito tempo antes de eu começar com esse lance virtual. Ah, meu rádio!
Ligar, ajustar o volume, procurar a estação que mais me agrada girando aquele botão e vendo o pequeno risco correr pelos números; 89.8, 89.9, 90.1, estranha sensação boa! Me remete há tempos passados, que pra mim são presentes, mas a sociedade julga passado. Quem sou eu para enfrentá-la?
Se todos tivessem crescido na casa da avó, e se na casa da avó existisse uma prateleira de madeira enorme feita pelo avô, e que em um dos milhares de compartimentos se encontrasse um rádio Philips prateado, com uma luz laranja à sombra da logo-marca, vocês entenderiam essa minha paixão, talvez.
- "Luiz Pedro, estão te chamando lá na rua, acho que querem que você participe do jogo!"
- "Ah vó, já vou, tô brincando aqui."
- "Só tu mesmo, deixar de jogar bola, pra ficar mexendo nesse trambolho aí.."
Ah, só um parênteses aqui, se por acaso tu crescer na casa da tua avó, não coma tudo o que ela lhe oferecer, isso te poupará de alguns (muitos) quilos a mais, acredite.
A conversa com o avô, era um pouquinho diferente.
- "Guri! Para de fuçar no rádio! Fica girando isso daí o tempo inteiro, quero só ver se quebrar!"
Avós sempre tão amáveis, netos sempre com fome.
Agora já não como tanto, e tenho meu próprio rádio. Posso girar aquele botão até ficar tonto! Estranha sensação de conquista.
A rotina de preparar meu chimarrão, abrir minha janela faça sol, chuva, calor ou frio, ligar meu amigo e ficar ali, estático. Ouvindo os sons do rock, pop, reggae, até mesmo estilos que não me agradam tanto. É a democracia, ouvirei o que me for proposto. Percebe como se torna um tipo de aula? Um estranho tipo de angústia, a espera da minha música. Estranha angústia boa. Tem-se um vento razoável do 5° andar, e ele espalha erva da minha cuia pelo chão. Não me importo, mais tarde limparei, até mesmo porque agora está tocando minha música. Aquela mesma que eu possuo em cd, vinil, fita, mp3. Mas estão tocando no rádio, é diferente, é como se fosse uma Plus Edition, sabe?
E quando a voz fala: "Agora, a pedidos de Luiz Ped..". Êxtase, gol, um sim. Momento máximo da vida de um 'ouvidor' profissional, acredite. Divido a explosão de alegria com meu chimarrão, e com o vento. Enquanto o som dos carros lá em baixo tenta, em vão, competir com meu som!
Acredito no lado bom da rotina, na rotina que eu posso ter e levo comigo. E aproveito minhas tardes que se encontram nesse pacote. Que na verdade não são muitas, mas aproveito.
E se tu me der licença agora, a água já ferveu e meu programa está pra começar. Está ventando, e logo logo vão tocar a minha música. Estranha rotina b..
Há muito larguei de vez a televisão, notícias não me interessam, e talvez num futuro próximo, me obrigarei a ter esse interesse, mas não agora, e aproveito isso, sendo coerente ou não. Tenho 17 anos, cara. Apenas deixo-me alienar para acompanhar meu time, just it, man. Computador, claro! Tenho meu carinho por você, por isso não se reprima! Vide Menudos. Tanto, que cá estou a digitar, bem na tua frente! Mas meu rádio está ligado, e já estava há muito tempo antes de eu começar com esse lance virtual. Ah, meu rádio!
Ligar, ajustar o volume, procurar a estação que mais me agrada girando aquele botão e vendo o pequeno risco correr pelos números; 89.8, 89.9, 90.1, estranha sensação boa! Me remete há tempos passados, que pra mim são presentes, mas a sociedade julga passado. Quem sou eu para enfrentá-la?
Se todos tivessem crescido na casa da avó, e se na casa da avó existisse uma prateleira de madeira enorme feita pelo avô, e que em um dos milhares de compartimentos se encontrasse um rádio Philips prateado, com uma luz laranja à sombra da logo-marca, vocês entenderiam essa minha paixão, talvez.
- "Luiz Pedro, estão te chamando lá na rua, acho que querem que você participe do jogo!"
- "Ah vó, já vou, tô brincando aqui."
- "Só tu mesmo, deixar de jogar bola, pra ficar mexendo nesse trambolho aí.."
Ah, só um parênteses aqui, se por acaso tu crescer na casa da tua avó, não coma tudo o que ela lhe oferecer, isso te poupará de alguns (muitos) quilos a mais, acredite.
A conversa com o avô, era um pouquinho diferente.
- "Guri! Para de fuçar no rádio! Fica girando isso daí o tempo inteiro, quero só ver se quebrar!"
Avós sempre tão amáveis, netos sempre com fome.
Agora já não como tanto, e tenho meu próprio rádio. Posso girar aquele botão até ficar tonto! Estranha sensação de conquista.
A rotina de preparar meu chimarrão, abrir minha janela faça sol, chuva, calor ou frio, ligar meu amigo e ficar ali, estático. Ouvindo os sons do rock, pop, reggae, até mesmo estilos que não me agradam tanto. É a democracia, ouvirei o que me for proposto. Percebe como se torna um tipo de aula? Um estranho tipo de angústia, a espera da minha música. Estranha angústia boa. Tem-se um vento razoável do 5° andar, e ele espalha erva da minha cuia pelo chão. Não me importo, mais tarde limparei, até mesmo porque agora está tocando minha música. Aquela mesma que eu possuo em cd, vinil, fita, mp3. Mas estão tocando no rádio, é diferente, é como se fosse uma Plus Edition, sabe?
E quando a voz fala: "Agora, a pedidos de Luiz Ped..". Êxtase, gol, um sim. Momento máximo da vida de um 'ouvidor' profissional, acredite. Divido a explosão de alegria com meu chimarrão, e com o vento. Enquanto o som dos carros lá em baixo tenta, em vão, competir com meu som!
Acredito no lado bom da rotina, na rotina que eu posso ter e levo comigo. E aproveito minhas tardes que se encontram nesse pacote. Que na verdade não são muitas, mas aproveito.
E se tu me der licença agora, a água já ferveu e meu programa está pra começar. Está ventando, e logo logo vão tocar a minha música. Estranha rotina b..
sábado, 28 de agosto de 2010
Num dia desses: um encontro casual.
Quantas vezes a imaginação é posta à prova tratando-se de ídolos? Sim, ídolos. Neste caso, musical. Como sempre, os acordes tem demasiada importância na vida de quem vos escreve. Mas vamos contextuar isso daqui!
Há alguns anos atrás, ainda longe de internet, noites e afins, uma das minhas diversões era virar e revirar um antigo baú de meu pai. Discos, fitas, livros, mal sabia eu que ali ia sendo formado meu caráter. Mas em um domingo frio e ensolarado, puxei um disco empoeirado que me chamou a atenção: um capa com três caras maneiros, dois sentados, um em pé, uma guitarra sob um sofá vermelho e um fundo branco. Achei engraçado, lá estava escrito: O PAPA É POP, e mesmo sem entender o porque, ri. E mais acima um letreiro vermelho: ENGENHEIROS.
- "Pai, que banda é essa?"
- "Deixa eu ver, ah sim, são os Engenheiros do Hawaii."
- "E são bons?"
- "Há, põe tocar ai que tu vai ver."
- "Põe o disco pra mim, pai?"
- "Não posso, tô espetando a carne, faz como eu te ensinei e coloca aí!"
Exércitos na noite de Porto Alegre, garotos que para serem sinceros, amavam Beatles, mais pop's que o papa! Tudo se misturava na minha cabeça, e aquele disco repetia, e repetia, e repetia. Só parou quando o rádio foi sintonizado na Rádio Gaúcha, eram 16 horas, e o Colorado entrava em campo.
Mas nada me fazia parar de mexer naquela baú, até encontrar mais dois discos daqueles mesmos caras maneiros! Revolta dos Dândis? Mas afinal, o que são Dândis?! Ouça o que eu digo, não ouça ninguém! Ah, esse eu entendi, são rockeiros! Também quero ser um! Pronto.
O tempo foi passando, o baú ficou para trás em alguma das várias mudanças, mas os discos seguiam comigo. Agora ganhando companhia de cd's, vídeos, livros, dos mesmo caras maneiros! E além do baú, nosso tempo de menino também foi ficando para trás, como diria o próprio líder dos maneiros. Já não pergunto tanto ao meu pai o que tal letra significa, ou tal nome, dou paz à ele. Escuto, leio, estudo e entendo. E percebo a genialidade de tudo que eu ouvia há tempos, e não percebia. A simetria é perfeita! Ele, além de rockeiro, é poeta! Também quero ser um! Pronto.
Quantas noites escrevendo por influência do rockeiro-poeta, quantas vezes esperava o sono chegar enquanto ouvia ele reclamar que estava longe demais das capitais, ah. Meu amigo grisalho, agora já não faz tantos churrascos quanto antigamente, o toca-discos foi vendido. Surgiram as noites, o mp3, não me importa. Me importa o que foi escrito a luz de velas, quase na escuridão! E segui assim, com minha pilha de "All's Star's", meus discos, meus livros, meus "mp3's", e minha influência por aquele cara maneiro. Ele foi buscar novos horizontes, eu também. Minha 'tietagem' nunca foi muito alimentada, mas mesmo assim, eu fantasiava um encontro casual, num dia desses, uma troca de idéias. E foi pela internet, qual eu não tinha acesso quando tudo isso começou, que vi o aviso da minha oportunidade: "Nesse dia, as 17 horas, estarei autografando meu livro, em tal cidade, tal livraria." É, é pra lá que eu vou.
Meus três discos saídos há anos do antigo baú, agora estavam em uma sacola, protegidos dos chuviscos que caíam em solo gaúcho naquela tarde, o livro até mesmo 'coadjuvantemente' fazia companhia.
Uma fila, como se imaginava. Sem problemas! Mais tarde, estava frente-a-frente com aquele cara maneiro, meio rockeiro, meio poeta. Eu, que tempo atrás achava graça das suas palavras, e que agora tudo fazia um fácil sentido.
- "E aí cara, tudo beleza?!"
- "Ahn, t..tudo!"
- "Nome?"
- "É um honra, Humberto, uma honra mesmo!"
- "Ah, que é isso cara!" [...]
- "Ah sim, Luiz Pedro, com Z e sem acento."
- "Com Z e sem acento, prontinho!"
- "Humberto, eu queria te pedir uma coisa, tens como tu assinar meu disco? É o Papa é Pop..se não for incomodo!"
- "Mas é claro, passa pra cá, deixa eu ver como eu to na foto! Ah, 20 anos atrás...Luiz Pedro nele também?"
- "Não, não, assina pro meu pai, ele que me apresentou o Engenheiros. Sidnei, não com Y, com I mesmo."
- "Sidnei com I! Ele ta contigo?"
- "Tá sim, tá logo ali atrás, tirando as fotos que eu pedi!"
Mas na verdade, ele já não estava tirando minhas fotos, estava do meu lado, estendendo a mão para cumprimentar o cara maneiro, e pegando o disco.
- "Tempo bom, hein Humberto." Dizia ele.
- "E será que volta?" Respondia o cara.
E nisso vi meu ídolo e meu maior exemplo apertando as mãos, como se comemorassem um pacto comprido. A paixão pelas poesias rockeiras continuava viva, na nova geração.
Eu sempre gostei de ouvir esses dois, e juro pra vocês que eu tentei prestar atenção no que os outros diziam, mas eles não diziam nada.
Obrigado Humberto Gessinger, por criar a trilha sonora dos meus passos, e obrigado pai, por dividir essa trilha comigo. Tenha certeza, que em todos os táxis, eu vos darei razão. E ah, pai, avisa a mãe, que agora eu tenho uma guitarra elétrica. Tu sabes que a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante.
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