Não, não estou falando da água, ou na sua fórmula molecular H2O. Estou falando dos dias, dos meus dias e da minha vida. Uma estrada cinza que antes fora iluminada por um sol tão forte a ponto de me cegar. E, alguém perguntou se eu queria ver? Comida sem gosto, flores sem cheiros e até a droga do mundo 'teenage color' está no absoluto preto e branco. E eu, de volta ao luto.
Ser o principal e único suspeito de um crime tão, mas tão perfeito, que nem ao menos faço idéia de onde ele começa ou termina, é o motivo da minha falta de motivo. E que belo criminoso eu sou. Oculto o crime até mesmo para seu criador.. difícil entender? Claro, como todos os atos que se espalham por esses dezessete anos. Dezessete, apenas. Como fora da lei em direção a uma prisão emotiva, eu poderia ter um último pedido? Não, contente-se com o que possui. Mas quem em sã consciência contenta-se com insegurança, incerteza e medo? E quem sabe uma outra chance? Outra, que outra? Você nunca obteve chance alguma, meu rapaz.
Mas voltemos no tempo, época de Flower Power. Como eu queria que você tivesse saído de lá, seria tão mais fácil de aceitar, quem sabe compreender. Pés descalços, flores na cabeça, uma vida de paz e amor, era o que o meu sol e seu iluminado desejavam. Mas não, voltamos além, épocas de Guerra Fria, é de lá a tua origem. Gelado como teu peito, e inaceitável como tua irracionalidade.
Eu gostaria de crer na humanidade, mas os conceitos de bem e mal estão se entrelaçando. Fazer o bem, ser o bem. O que se tem em troca? Um dia ainda vou descobrir. Por hora, perdi tudo, por assim ser. Quem sabe voltar a beber, voltar a fumar e me trancar em um submundo mais uma vez. Trazer a tona pela segunda vez o Mal do Século, onde meus antigos heróis descansam depois de tanto tentar. Afinal, temos nossa linha traçada para com esse rumo desde o momento de nosso primeiro choro. Choro que vai nos acompanhar, até uma overdose de pessimismo e melancolia. É nosso trabalho, não? Talvez vocês ainda possuam um representante.
E na viagem do tempo, agora me encontro na idade da pedra, sem comunicação. Depois de chegar ao destino com a roupa do corpo, e mais nada. E aquele sol que me cegava, agora é encoberto por nuvens de fumaça negra. Um Hades que invadiu o Jardim do Éden, transformando parte em pedra, e outra em um oceano de lágrimas. O que restou? A fé de uma conversão. Eu gostaria de crer na humanidade, lembra? Eu tento, afinal, o que mais tenho a perder? Meu sol vai voltar, é claro que vai. Já está decidido, e nenhuma viagem ao tempo, ou Deus as avessas vai mudar isso. Segura minha mão e vamos fugir daqui?
quem sabe uma 'cama elástica' nao possa ajudar? ;)
ResponderExcluirTeus pensamentos são realmente ficados..
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