segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Estranha rotina boa.

A palavra 'rotina' pode ser bem desagradável, ou atraente. Depende do ponto de vista e contexto. Esse é um caso de uma rotina atraente, acredito eu. Uma linda história de uma linda amizade entre humano e máquina. Muitos pensarão, na verdade a maioria, que me refiro ao computador, ao notebook, à algum tipo de iphone ou engenhocas ultra-mega-hiper modernas. Os defensores de épocas vintages, citariam até mesmo a televisão! Mas não, nem um e muito menos o outro. Falo de meu rádio. Isso, meu rádio. Sem entradas USB, sem giga algum de memória interna, apenas duas caixas de som, uma bandeja para meus cds, dois toca-fitas (acredite), uma antena e milhares de adesivos.
Há muito larguei de vez a televisão, notícias não me interessam, e talvez num futuro próximo, me obrigarei a ter esse interesse, mas não agora, e aproveito isso, sendo coerente ou não. Tenho 17 anos, cara. Apenas deixo-me alienar para acompanhar meu time, just it, man. Computador, claro! Tenho meu carinho por você, por isso não se reprima! Vide Menudos. Tanto, que cá estou a digitar, bem na tua frente! Mas meu rádio está ligado, e já estava há muito tempo antes de eu começar com esse lance virtual. Ah, meu rádio!
Ligar, ajustar o volume, procurar a estação que mais me agrada girando aquele botão e vendo o pequeno risco correr pelos números; 89.8, 89.9, 90.1, estranha sensação boa! Me remete há tempos passados, que pra mim são presentes, mas a sociedade julga passado. Quem sou eu para enfrentá-la?
Se todos tivessem crescido na casa da avó, e se na casa da avó existisse uma prateleira de madeira enorme feita pelo avô, e que em um dos milhares de compartimentos se encontrasse um rádio Philips prateado, com uma luz laranja à sombra da logo-marca, vocês entenderiam essa minha paixão, talvez.
- "Luiz Pedro, estão te chamando lá na rua, acho que querem que você participe do jogo!"
- "Ah vó, já vou, tô brincando aqui."
- "Só tu mesmo, deixar de jogar bola, pra ficar mexendo nesse trambolho aí.."
Ah, só um parênteses aqui, se por acaso tu crescer na casa da tua avó, não coma tudo o que ela lhe oferecer, isso te poupará de alguns (muitos) quilos a mais, acredite.
A conversa com o avô, era um pouquinho diferente.
- "Guri! Para de fuçar no rádio! Fica girando isso daí o tempo inteiro, quero só ver se quebrar!"
Avós sempre tão amáveis, netos sempre com fome.
Agora já não como tanto, e tenho meu próprio rádio. Posso girar aquele botão até ficar tonto! Estranha sensação de conquista.
A rotina de preparar meu chimarrão, abrir minha janela faça sol, chuva, calor ou frio, ligar meu amigo e ficar ali, estático. Ouvindo os sons do rock, pop, reggae, até mesmo estilos que não me agradam tanto. É a democracia, ouvirei o que me for proposto. Percebe como se torna um tipo de aula? Um estranho tipo de angústia, a espera da minha música. Estranha angústia boa. Tem-se um vento razoável do 5° andar, e ele espalha erva da minha cuia pelo chão. Não me importo, mais tarde limparei, até mesmo porque agora está tocando minha música. Aquela mesma que eu possuo em cd, vinil, fita, mp3. Mas estão tocando no rádio, é diferente, é como se fosse uma Plus Edition, sabe?
E quando a voz fala: "Agora, a pedidos de Luiz Ped..". Êxtase, gol, um sim. Momento máximo da vida de um 'ouvidor' profissional, acredite. Divido a explosão de alegria com meu chimarrão, e com o vento. Enquanto o som dos carros lá em baixo tenta, em vão, competir com meu som!
Acredito no lado bom da rotina, na rotina que eu posso ter e levo comigo. E aproveito minhas tardes que se encontram nesse pacote. Que na verdade não são muitas, mas aproveito.
E se tu me der licença agora, a água já ferveu e meu programa está pra começar. Está ventando, e logo logo vão tocar a minha música. Estranha rotina b..

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