domingo, 5 de setembro de 2010

Desabafo em 6 cordas.

Um desabafo pode ser feito das mais diversas maneiras. Alguns gritam, choram, berram e xingam. Outros precisam de um par de ouvidos pacientes. Alguns de nós escrevem, nós. Tirando um par de aspas do repertório de Leindecker, é que dou o pontapé inicial na idéia desse texto: "Há quem construa aviões, escreva as revistas e outros dedilham violões". Minha forma de desabafo preferida, minhas 6 cordas. Sendo dedilhadas, travadas, batidas. Desferindo uma música de três fáceis notas, aprendida há mais de cinco anos, ou arriscando uma complexa melodia que me tomou noites de treino. Sim, noites de treino. Pois não nasci pra tocar esse instrumento, não tenho dom nenhum e ele faz de tudo pra que eu não toque-o. Mas desde quando eu nadei a favor da corrente? A unica graça que isso teria, seria tentar encontrar a mesma. Então tomo uma melodia complexa, e passo horas na prática de cortar meus dedos já cheios de marcas deixadas por uma fina corda de aço. E quem som tem essa corda! Ah, se vale a pena.
Em um sábado a noite, em uma cidade com dezenas de festas, minha balada é sentar na minha cama, me encostar na parede, jogar minhas pernas e desabafar, tranqüilizando a alma. Sempre com um papel e caneta ao lado, pois é inevitável as idéias surgirem. O ato de virar o violão, e escrever em suas 'costas', é comum, quem faz sabe do que falo.
Ir jogando as notas pelo ar, sem responsabilidade alguma de sincronizo, tempo, estrofe ou refrão, é como caminhar no escuro. Mas sabendo que o chão está forrado com almofadas. Tu poder vir a tropeçar e cair, mas a queda é leve, não machuca, e chega a ser até mesmo divertida.
O fim de tarde é um tanto quanto místico, quando juntado a um violão. Tanto a lua, quanto o sol combinam com os acordes. E tocar pra público algum, tocar pra si próprio, apenas esperando que o fim da tarde venha com você, pra aí sim, te mostrar minha milésima canção de amor.
Ir tocando, e se perdendo. Esquecer qualquer tipo de regra, esquecer até mesmo o que se estava produzindo. Errar letras e acordes, e depois pensar: "Pô, ficou bom!" Solos mais errantes que as letras errantes, agudos desafinados, e mesmo assim o público de um só coração aplaude fervorosamente. Fazer sucesso com quem me importa ter sucesso, ter discos de platina na parede de dentro. Desabafo? Pois sim!
Da mesma maneira que o papel aceita toda e qualquer idéia, as cordas aceitam toda e qualquer posição (das que se é capaz de fazer). Não são dois pares de ouvido, mas são três pares de alívio. Os teus sentimentos transbordam e saem em diferentes sons. Existe um tipo de desabafo mais bonito? Prove-me!
Sendo que é o único que além de te fazer sentir melhor, agrada quem te rodeia. 
Sigo, faço, digo e invento o que não foi escrito, depois levo tudo pro palco. No meu quarto eu sou Rock-Star. Sabe, aqueles que cantam: nãráránãrárárá he hey! Sou romântico. Sabe, aqueles que cantam: essa noite você tá tão bonita, um sorriso limpo como um copo de vinho! E confesso que a agenda de shows não é apertada, ela é auto-suficiente.
Mas por coincidência ou não, tenho um marcado pra agora, quando o sol nascer. A platéia espera por mais um tranqüilo, pesado, rápido e romântico desabafo. E isso inclui você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário